
O bonitão, Sir. Heisenberg.
Impressiona-me a quantidade de descobertas que assolam o mundo. Os cientistas, biólogos, pesquisadores idolatram os gênios de suas áreas. Einstein, Darwin, Fleming (o maldito britânico bem relacionado com jornalistas da época, que levou a fama dos médicos Howard Florey e Ernst Chain – os verdadeiros criadores da penicilina), Morse, Bell, Newton, Pasteur, Mendel...
Apesar de reconhecer os tais grandes feitos dos senhores acima, e condecorá-los por não se renderem às limitações e proibições de suas épocas, já que em minha geração a tecnologia e a preguiça de qualquer espécie leva para a vala da mediocridade – o senso comum – quase todos os nascidos entre o fim do século XX e início do XXI, há uns caras que despertam em mim o verdadeiro fascínio e tesão da descoberta: Bohr, Schrödinger, Planck, Heisenberg, De Broglie, Compton e Pauli. O grande clã da física quântica.
A física quântica trouxe milhares de explicações orgásmicas sobre a interação dos átomos no núcleo. Do efeito fotoelétrico a constante de Planck, do méson-pi de Lattes ao efeito Compton e a dualidade onda-partícula.
Entretanto, o “Princípio das Incertezas” de Heisenberg, é o meu acontecimento pessoal. É a única descoberta científica que desperta em mim, um lado Fleming. O alemão Werner Karl Heisenberg, foi nomeado diretor científico das pesquisas nuclares alemãs durante o governo Hitler, apenas aceitou o cargo para tentar impedir que utilizassem a energia nuclear para fins bélicos. E de fato o conseguiu: convenceu os governantes da inviabilidade econômica da construção de bombas atômicas,o que levou a Alemanha para o caminho da pesquisa nuclear apenas em reatores atômicos. Ao contrário dos malditos americanos – o grupo Americano de Los Alamos, dirigido por Oppenheimer, conseguiu o feito. E bombardeou as cidades japonesas, antes da rendição, na segunda Guerra.
O princípio diz, em síntese: “se não é possível determinar exatamente todas as condições iniciais de um sistema, então também não é possível prever seu comportamento futuro. Os fenômenos não podem ser previstos exatamente; só é possível estabelecer a probabilidade de que algo aconteça”.
Heisenberg faz com que eu admire alguns cientistas e ainda suspire por um pouco de ética e honestidade nos meios políticos, econômicos e sociais. Após estudar o alemão que fez Hitler tomar no cú, eu passei a cultivar algumas paixões compulsivas por estudiosos dos comportamentos humanos e pela literatura. Antes eu sonhava em conhecer a Abadia de Westminster (que foi consagrada no dia de meu aniversário) e os túmulos de Sir. Issac Newton, Laurence, Dickens; mas perdi o tesão quando a senhora Lady Di, foi mandada para lá.
Hoje, se pudesse ter atendido tal desejo, gostaria de conhecer as progenitoras de cidadãos ilustres como o senhor Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Milton Santos, Simon Schwartzman, Eça de Queirós, Machado de Assis, Victor Hugo, Virginia Wolf, Guimarães Rosa, Sartre, Niet e é claro, Pessoa. E não lhes daria parabéns. Passaria horas, admirando-as, e pensando “que dádiva foi aquela gozada, senhora”.